Reto, seco, são
Porque hoje eu não acordei pra te elogiar e hoje eu não acordei com paixão. Hoje eu acordei só pra existir, levantei pra pisar na calçada. Acordei vulgar, hoje não posso salvar o mundo.
Não acordei pra te ver ou pra te inspirar. Não acordei pra te amar. Acordei pra assistir um dia passar. Não acordei pra viver nem pra matar. Hoje sou tangente, não diagonal. Ricocheteio, não perfuro.
Com sorte essas 24 horas passarão e eu não tocarei em nada. Não deixarei vestígios, não beberei tequila, vou ficar na cerveja de garrafa.
Serei mais um, comum. Reto, seco, são.
Hoje não acordei para mastigar as paredes, gritar tua covardia ou chupar o teu ego. Levantei pra ser certo. Botei os pés pra fora para ver o amanhã. Hoje exalo tons pastéis, sou burocrático. Não afirmo, acho. Não fico, passo.
Isso porque hoje finalmente eu cansei. Cansei de ser quem espera, cansei de ser quem luta. E como hoje não sei viver sem esperar ou lutar, serei outro. Na verdade, hoje eu não serei (nada).
