Reto, seco, são

Porque hoje eu não acordei pra te elogiar e hoje eu não acordei com paixão. Hoje eu acordei só pra existir, levantei pra pisar na calçada. Acordei vulgar, hoje não posso salvar o mundo.
Não acordei pra te ver ou pra te inspirar. Não acordei pra te amar. Acordei pra assistir um dia passar. Não acordei pra viver nem pra matar. Hoje sou tangente, não diagonal. Ricocheteio, não perfuro.

Com sorte essas 24 horas passarão e eu não tocarei em nada. Não deixarei vestígios, não beberei tequila, vou ficar na cerveja de garrafa.

Serei mais um, comum. Reto, seco, são.

Hoje não acordei para mastigar as paredes, gritar tua covardia ou chupar o teu ego. Levantei pra ser certo. Botei os pés pra fora para ver o amanhã. Hoje exalo tons pastéis, sou burocrático. Não afirmo, acho. Não fico, passo.

Isso porque hoje finalmente eu cansei. Cansei de ser quem espera, cansei de ser quem luta. E como hoje não sei viver sem esperar ou lutar, serei outro. Na verdade, hoje eu não serei (nada).

Seu nome na boca do sapo…

Be bold

A grande maioria da população costuma lembrar de Jimi Hendrix como um dos maiores guitarristas de todos os tempos, que revolucionou o uso desse instrumento e tal e coisa. Mas ele era, além disso tudo, um excelente letrista. Impressionante até.

Blue are the life-giving waters taken for granted,
They quietly understand
Once happy turquoise armies lay opposite ready,
But wonder why the fight is on

(…)

My red is so confident that he flashes trophies of war and
Ribbons of euphoria
Orange is young, full of daring,
But very unsteady for the first go round
My yellow in this case is not so mellow
In fact I’m trying to say its frigthened like me
And all these emotions of mine keep holding me from
Giving my life to a rainbow like you
But, I’m bold, I’m bold as love

Jimi Hendrix - Bold as Love 

 

Recomendo veementemente a audição.
Quem quiser também ouvir a versão (ao vivo) do John Mayer Trio. Bem interessante.

Compassos

Em algum lugar do espaço aéreo de Roma, 04/10/2007

(19:10) Hoje eu comprei um relógio, uma pequena extravagância.
Agora eu vejo a hora, eu vejo cartesianamente o movimento do tempo. Dos meus tempos. Encavalados, precoces, selvagens. Ingenuamente violadores. Se fosse morais, vilões. Se fosse de pólvora, rojões. É o vento que seca o que tento modelar. Descompasso, ska.

Os meus tempos não se encontram. (19:34) Fazem corpo mole mas não são lânguidos. Querem ser mártires, eles se matam. Me matam. Mas assassinos são todos os tempos. São monstros. (19:43)

***

Os minutos andam compridos. Eu ando sentindo o tempo. Quando passa e quando fica. Porque ele fica.

Quântica

Há essa tristeza que não é agressiva, não faz chorar, não mata, mas é funda. Tem massa, é antimatéria.

Essa nostalgia-futuro-do-pretérito, essa saudade do que podia ter sido. É de uma tristeza tão profunda que não chega nem a queimar. Como passar a mão naquela faixa azul da chama.
 
Não dói porque não vive. É o oposto de vida, porque não foi, nem será: seria. Talvez em dimensões alternativas - as que eu não faço idéia de onde estão - ela se faz real. Até onde eu sei, é só minha cria. O único registro de sua ‘existência’ são esses caracteres aqui.

"A vida não é newtoniana, é quântica", foi o que disse o Ferreira Gullar.

‘You’ve got soul’

Não consigo mais parar. Comecei baixando umas coisa aqui, outras ali, mas agora o funk e soul dos anos 70 não me largam e eu não estou fazendo a menor força para me desvencilhar.

Relendo ‘Alta Fidelidade’, do Nick Hornby, eu fiquei descobrindo um monte de coisa q eu não conhecia. Uma delas foi o Solomon Burke. E aí, meus caros, quem chega a Solomon Burke não pára. Vai pro Al Green, Otis Redding, Ray Charles, que por sua vez me levou ao Joe Cocker… Aretha Franklin… Estou perdido, já era.

Minha cachaça.

Agora, me digam se eu não tenho razão.

All I Want (2)

Eu sonhei com essa música, então não é uma escolha consciente colocá-la aqui. Eu sonhei.

All I really really want our love to do
Is to bring out the best in me and in you
I want to talk to you, I want to shampoo you
I want to renew you again and again
Applause, applause - life is our cause

Punch

Manoel Magalhães e Klaus Maia agora sempre no http://drunk-love.blogspot.com.

Outro blog, outras palavras. Outros. Nós. 

Open House

Nem pense em entrar aqui. Vai achar vasos de flores no chão, cortinas vermelhas e teu nome escrito nas paredes. Composto, simples, superposto.
Não venha. Te mostrarei minhas letras, faremos anagramas na cama. Com nossos nomes, insones, bricaremos até a luz apagar e o abajur nos encharcar de nós mesmos. Para não caber, viver. Não pensar, ser. Até aqui, sim, porque lá é longe. E perto é o lugar que eu quero conhecer.

Mas se cogitar fazer uma visita, esqueça a campainha e os pontos. Be bold, traga a pele, os cheiros, me dê os parágrafos. Porque daqui você só sai minha. Escrita.

Derretendo o mundo

A intimidade deles demora um pouco para funcionar. É meio cíclica, mas sempre começa com o corpo. A palavra não ajuda muito, a pele sim. É o jeito de ela o puxar pra perto pelo bolso da calça ou o maldito carinho que ela faz com os pés. Às vezes um beijo basta e os olhos, imensos ("do tamanho do bairro das Laranjeiras") e fortes, não são mais os mesmos: são ferramentas de abdução. Desvencilhar-se é impossível. Não há tempo ou lugar, uma vez lá, as coisas ao redor começam a se diluir: ou porque giram, ou porque param.

Ele desaprendeu a não olhar no olho. Agora tem todo um mundo pra encarar. 

Hike up your skirt a little more…